Têxtil, Vestuário e Calçado

O Sector em Angola


A situação existente no sector necessita de uma revisão completa para concretizar os objectivos previstos pelo PRODESI.

Com base no extenso trabalho de campo que envolveu a avaliação de cerca de 50 empresas têxteis, de vestuário e de calçado em todas as regiões, o levantamento de mais de 100 estabelecimentos comerciais e a integração com as principais partes interessadas no sector público e privado, a situação predominante no sector é expresso da seguinte forma:

Legenda

1. Mercado

  • Mercado nacional avaliado em $728 Milhões USD (2017), fornecido principalmente pelas importações (~60% em fardos).
  • Comércio bem organizado através de canais formais e informais (redes de grossistas e retalhistas com estratégias bem definidas).

4. Vestuário

  • Mais de 31 PME de vestuário em funcionamento direccionadas para o mercado de uniformes, com foco no sector público.
  • Capacidade estimada em 18 Milhões peças anuais.
  • Utilização de 20% da capacidade existente.
  • Baixa competitividade das empresas por falta de capacitação de recursos humanos dos gestores.

2. Produção de Algodão

  • Produção insignificantes nos últimos 3 anos (1.000 toneladas).
  • 8.000 ha de terra arável disponível para algodão no Kwanza Sul.
  • Uma unidade de descaroçamento em Kwanza Sul ociosa desde 2013.
  • Uma unidade de descaroçamento a aguardar instalação em Malange.
  • Sistema de irrigação (Kwanza Sul) instalado em 2009 aguarda entrada em funcionamento.
  • Falta de sementes locais (importadas de Espanha).

5. Calçado

  • Indústria inexistente
  • Excepto 2 empresas para calçados industriais em Luanda e Malange que estãi paradas.

3. Têxtil

  • Disputa sobre a propriedade de 3 fábricas de têxteis reabilitadas está a ser revista pelo governo.
  • A Nova Textang II tem equipamentos modernos para produzir tecidos para uniformes; operações suspensas desde Julho de 2009.
  • As duas outras fábricas têxteis Satec (t-shirts/jeans) e Alasolla (têxteis-lar) estão instaladas, mas sem gestão.

6. Contratos Públicos

  • Falta de transparência.
  • Participação insignificante da indústria local em concursos públicos.
  • Inexistência de interesse do sector público em ser fornecido pelo sector privado nacional.

 

As actividades industriais no sector têxtil e calçado estão praticamente paradas desde 2016, sendo necessário recorrer fortemente à  importação de produtos para satisfazer as necessidades do mercado.

1. Têxtil: Importação - 264 Milhões USD (Fonte: Comtrade, dados 2017).

2. Vestuário:

  • Importação - 222 Milhões USD (Fonte: Comtrade, dados 2017).
  • Vendas Totais - 196 Milhões USD (Fonte: “Estudo de Desenvolvimento da Cadeia de Valor, Têxtil,  Vestuário e Calçado PRODESI em Angola“, Gherzi Textil  Organization, 2019, dados 2017).

3. Calçado: Importação - 242 Milhões USD (Fonte: UN Comtrade, dados 2017).

4. Vestuário:

  • Produção Nacional - 1.503 Milhões de peças produzidas.
  • Número de Empressas - 31 oficiais (estimativa de 100).
  • Número de Empregados - 941 registados
  • Fonte dados: “Estudo de Desenvolvimento da Cadeia de Valor, Têxtil,  Vestuário e Calçado PRODESI em Angola“, Gherzi Textil Organization, 2019, dados 2018).

O sector têxtil em Angola importou, maioritariamente, tecidos de algodão (cerca de 18,4 Milhões USD), seguido de corda/rede de  pesca (cerca de 11,7 Milhões USD).

Em relação ao sector vestuário, o top 3 de produtos importados foram:

  • T-shirts de malha de algodão (27,7 Milhões USD).
  • Calças/calções de tecido para homem (16,6 Milhões USD).
  • T-shirts de malha não algodão (16,2 Milhões USD).

As importações, no sector têxtil e vestuário, derivam maioritariamente da China (72% do valor total), seguida de Portugal (12% do valor total).

Foram importados cerca de 205 Milhões USD de calçado da China o que representou 85% do total de importações do sector do  calçado.

Em 2018 foram produzidas cerca de 1.503 milhões de peças de vestuário em Angola, sendo importante destacar que as actividades  industriais no sector, em 2018, funcionaram apenas a 20% de sua capacidade instalada. Toda a produção nacional foi consumida  internamente.

Em 2018 existiam 31 empresas oficias no sector, contudo, estimamos que existam no total cerca de 100 empresas. O mesmo acontece  com o número de empregados no sector, oficialmente foram registradas 941 pessoas empregadas, contudo estimamos que no total o  valor chegue às 2.500 pessoas empregadas.